O poema é o que ocorre depois do amor,
Ou aquilo que não se diz o que se sente.
Ele é o desejo que não se mostra,
Uma aposta incerta e pessoal;
Um dizer confessável à quem tem ouvidos, lido
Por juízes de nenhuma moral.
O poema nasce na raiz de uma revolução,
Na flor da guerra e nos corações,
Em palavras de ordem e regresso,
No pedido de rendição.
O poema é uma reconciliação
Àquela saudade que se agita no peito
Feita tão somente de imagens
Além da dor, da dúvida ou do desespero.
O poema nasce quando se morre,
Ele acontece quando nada mais pode.
Metamorfoseai-vos sentimentos abundantes,
Encham-se de cor e tomem forma
Tinjam o papel de novas memórias
A crescer no tempo
Para além das gerações vindouras.
Não havendo outra forma de exagerar
O que se quer falar e pensar da anatomia
Da curiosidade da vida
Ao todo que se farta.
Enquanto se vive
Aqui, o poema acaba.