A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM
O homem finge desconhecer a verdade, porque a realidade é dura de aguentar! São as dívidas, as contas a pagar. A cara feia das necessidades escancara a dura realidade!
Que fazer o pobre coitado? Com o pouco salário que ganha, tem que se virar pra pagar a conta de luz, a conta de água, os gastos, as despesas diárias.
O pobre apanha da vida, cada vez mais cara... Está caro o preço do gás de cozinha, do arroz, do pão, do leite, da carne, do biscoito, do feijão, do açúcar, da farinha. Tudo está pela hora da morte.
Mas tem sorte o pobre, que ainda tem emprego. Não é muito o que ganha, mas lhe serve de arrego.
Não tem mais como fugir. O bicho já pegou. Mal acabou o mês.
O dinheiro já acabou. Os preços dos alimentos sobem mais do que foguete. Todos os meses, tome remarcação dos preços alimentícios na feira, no açougue, na farmácia, nos supermercados.
E, pra completar a ciranda dos preços altos — é horror aos bocados, sobressaltos, assaltos — o preço dos combustíveis cada vez mais alto, sobe mais do que avião a jato...
Correlação com o aumento de tudo, onde os alimentos de primeira necessidade — comida, vestuários, despesas mensais e gastos extras com medicamentos — ficam cada vez mais caros, deteriorando o poder de compra, o dinheiro sendo corroído pela inflação, ou indo pro bolso do ladrão no \"ecossistema da corrupção\".
O pobre pai de família sofre com o baixo salário. Faz das tripas coração para arcar com as despesas e gastos diários.
A agonia aumenta, a chapa esquenta, se aperreia por receber tanta porrada, é tanta bordoada no lombo que o pobre não aguenta o tombo.
Tome mais aperreio quando o filho mais velho quer dinheiro pra balada, a jovem linda, menina faceira, pede dinheiro pra comprar acessórios de beleza: batom, perfumes, brincos, roupas da moda — mimos que a enfeite, porque é Gata Borralheira e quer ser princesa;
O caçula quer carinho e quer brinquedos — a bola, o carrinho de rolimã — sonha com a bicicleta Caloi.
Como o peito do velho dói, por ter pouco dinheiro, que mal dará pra alimentar a família que quer mais do alimento...
Cada mês é uma agonia! O dinheiro mal dá para os gastos do dia.
É a ciranda dos preços altos — os sobressaltos, os assaltos ao poder de compra que rouba do pobre pai de família parte do salário para despesas e gastos diários.
Quanto custa viver, com o salário tão baixo?
E, nesta dicotomia, a lenta agonia do pobre, que vive na correria, na luta pelo pão de cada dia!
A relação capital e mão de obra — exploração do suor alheio. Na sanha de amealhar mais riqueza, o rico acha um meio de ampliar mais a fortuna.
O pobre fica mais pobre. E vai crescendo, sobe vertiginosamente a miséria que nunca o abandona:
É que a pobreza, o desemprego, a aflição, a fome, a dor, custam vidas.
A privação de gêneros alimentícios, o baixo salário pago ao trabalhador, são mazelas criadas pelo próprio homem, que escraviza outro homem, pela concentração de riquezas.