Poesia Abandonada

Arauto das mentiras

Nasce das sombras o bardo sem nome, Com voz de veludo e olhar de cristal, Tecendo palavras que a alma consome, Onde o falso reluz como ouro real.

Sua boca é uma forja de doces enganos, Pinta o abismo com tons de jardim, Sussurra promessas que duram por anos, Conduzindo multidões a um triste fim.

Disfarça o veneno em taças de mel, Muda o traçado de toda a verdade, Borda estrelas de pano num falso céu E vende ilusões à credulidade.

Passa o arauto de capa escura, Deixando o rastro da ruína no ar; Enquanto o mundo aceita a loucura, Ele sorri ao ver a farsa prosperar.