Gilberto C. S. Jr.

O PÁSSARO

Quisera eu ser como pássaro:

não há fronteira que o tolha,

em voo livre, feito sonho de Ícaro,

espera que a imensidão azul o acolha.

 

Ao longe, o horizonte se apresenta,

acima, o brilhante terraço do céu.

Em algodoadas nuvens se movimenta,

enquanto desfila pujante qual corcel.

 

Abaixo do vento, posta-se distante

a imóvel e esverdeada natureza.

Ínfimo na vastidão, o breve instante

oculta do olhar sua beleza.

 

Além do teto do mundo, o olhar captura

o silencioso infinito estrelado.

Seus olhos desnudam com ternura,

misterioso e brilhante, um corpo alado.

 

Quisera eu ser como pássaro:

ao voltar de voo raro,

partilhar a última revoada,

findar o dia e a jornada

em alarido crepuscular.

 

Depois...

adormecer em paz e rememorar.