Luminoso, o Vitorioso

Arsenal D\'Armas

– Hmmm

– Deixa cá ver.

– Está tudo empoeirado.

– Teias de aranha por todo o lado…

– O que temos aqui…

– Uma Glock 17 com silenciador, para silenciar a pistola.

– E aquela grafitista fala-barata, mal fala barato, o bolso é vazio mas a boca é cheia de palavras caras, ela realmente sabe como tocar na ferida e ainda afundar o dedo, como se atreve a falar mal da minha pulseira e do anel, esta peça é de prata mas não é barata, realmente há gente com muita lata…

– Que vontade de lhe dar um tiro, ou dois…

– Ela atingiu o meu coração e nela eu atinjo o pescoço…

– Pow! Pow! “Morreeee, engasga-te com o teu próprio sangue sua vadiaa”

– É apenas um pensamento intrusivo.

– Deixa pra lá.

– Ela deve ter comido muitos insetos ao almoço…

– Engraçado, chama-se silenciador, mas não a silencia, apenas a arma, que é a causa.

– Que mais tenho aqui…

– Uma faca de caça? 

– Faz sentido.

– Shnk! Ao estilo Rambo.

– Para apunhalar por trás quem me apunhalou lá atrás.

– Mas deve haver algo melhor…

– Deixa continuar a ver…

– Olha, uma Bazuka.

– Coloco-a no ombro assim e…

– FWOOSH! BOOM! e KABOOM! 

– Bem no alvo.

– Para explodir o carro dos sujeitos que me maltrataram, estilo GTA, aqueles sujos e sem jeito.

– Bem pesada, hã?

– O ombro nem aguenta…

– Mas esta não serve.

– Tem que ser algo mais leve.

– Que mais…

– UaU

– Uma M16? 

– Miro em um aglomerado de civis e…

– Rá-Tá-Tá-Tá-Tá! 

– 10 pássaros com 1 pedra!

– Faz-me lembrar os tempos de Crossfire, era a minha arma preferida daquele jogo, metralhava os inimigos uma dezena de vezes, sem precisar recarregar a cada segundo.

– Várias balas por segundo facilmente dizimam uma multidão de protestantes, fanáticos religiosos, racistas, nazistas, feminazis e prostitu–

– Bem mais prático.

– Mas não, também não serve.

– Eu quero me vingar.

– Mas não quero me tornar um assassino.

– Mais…

– Olha aqui, o Revólver.

– III AHHH!!! Sou um cowboy do velho oeste.

– No bar, um pistoleiro me desafiou para um duelo de pistolas na praça…

– Eu aceitei.

– Quando chegou o horário, fui para a praça.

– Encarei.

– Me posicionei.

– Coloquei a mão no coldre.

– Suspirei.

– E

– Click! — Bang!

– Em cheio no meio da testa.

– E em câmera lenta.

– No momento parecia mesmo que tinha invocado o Dead Eye.

– Que cenário.

– É o tempo do qual não nasci, e nem estava perto de nascer.

– E ainda bem que não nasci.

– Só de pensar em pistoleiros, tiroteios, caçadores de recompensa, enforcamento em praça pública, e em plena luz do dia, ou de ser atropelado por um carr– CAVALO, e de cruzar destinos com os nomes mais temidos daquela época…

– Billy The Kid, Jesse James, Calamity Jane…

– Dá-me arrepios na espinha.

– Reparei que o revólver…

– Ainda tem uma única bala.

– De quando estava ébrio, depressivo, e a jogar à roleta-russa sozinho…

– Não quero entrar em detalhes.

– Que mais encontro por aqui…

– Meu Diabo, o que é isto?

– Uma MG3? Eu te digo

– Esta é aquela arma que se tiveres um blackout, acordares, e olhares ao teu redor…

– Terás aniquilado uma aldeia inteira.

– E mais algumas aves que sobrevoavam o céu por ali…

– “O Massacre Acidental.”

– Nenhum juiz iria acreditar.

– Há que ter juízo com esta arma.

– Prefiro deixá-la guardada.

– Deixa-me vasculhar mais um pouco…

– Malditas teias de aranha.

– Só um momento.

– Tá feito.

– Estava a sacudi-las das mãos.

– Por aqui ainda tenho…

– Granadas…

– FIRE IN THE HOLE!!

– Bem que gosto de observar as explosões ao longe.

– Ainda mais as explosões que eu causei.

– Afinal, explosões foram feitas para serem apreciadas.

– E tenho…

– Caçadeiras ou Espingardas…

– Não te metas no caminho de um caçador, ou ele vai-te fazer perder a cabeça…

– É a cabeça que estoura, e a que é estourada…

– Aquela ali.

– Parece ser a arma ideal.

– Está bem lá no fundo.

– Engraçado.

– Eu no fundo e ela no fundo.

– A ver se a alcanço.

– Só um pouquinho mais de esforço…

– …

– Ufa!

– Encontrei.

– É esta a arma que vou usar para me vingar de tudo e todos.

– Não tem silenciador, mas mata silenciosamente.

– Nem vou precisar de ser julgado, legalmente falando.

– Esta munição é especial.

– Corrosiva como o ácido.

– Mata de dentro para fora, gradativamente e de forma indireta.

– Se chama inveja.

– Que nome interessante para se dar…

– E tem aqueles outros tipos de munições, que se chamam palavras.

– Essas são bem certeiras, atingem diretamente o coração.

– Por vezes, controlam as ações, e outras vezes, provocam reações, tem vários tipos e tipos de tamanho, só podem ser sentidas se forem penetradas, e para serem penetradas precisam de ser ouvidas, absorvidas, caso contrário não irão neutralizar o alvo pretendido.

– Então quer dizer que um cego, surdo e mudo é imune a este tipo de munição?

– Interessante saber.

– Para recarregar basta apenas esperar, para poder recuperar o fôlego, e se a garganta seca–, quero dizer, a arma sobreaquecer, é só matar a sede, bebendo algo tá?! 

– E não disparando com a arma na boca.

– Então os cartuchos que ficam espalhados pelo chão…

– Seria a saliva, suponho.

– E claro

– O gatilho, se chama ação.

– Só assim, para o acionar.

– E por fim, a arma.

– Se chama Sucesso.

– A única arma que não derrama o sangue do inimigo, apenas o faz ferver.

– Pronto, acho que é hor–

– Ah! 

– Quase me esqueço.

– O colete à prova de bala.

– Tenho dois…

– Um se chama ego.

– E o outro orgulho.

– Hmmm mais uma segunda vez, estou indeciso…

– Acho que vou usar o segundo.

– Até que me fica bem.

– Bem melhor que o primeiro sendo sincero, que tinha usado na outra vez.

– E só mais uma coisa.

– Tss-Tss!

– Glup!-Glup!-Glup!

– Aaaahhhh!

– Pronto, acho que agora estou pronto.

– É hora d’ir me vingar.

 

“Matar é d’inveja, e vingar é com o sucesso.”

 

- luminoso, o vitorioso.