Epaminondas

Inverno

Inverno. Frio e cinza. Abro as cortinas e vejo as folhas deixadas do outono sobre o jardim, agora silenciado, e, da varanda, miro as águas, absorto.

Inverno... Dançando, as folhas secas giram e balançam. Morte, vida, frio...

Por que, jovem erudito, no clarão das estrelas,
visitas estes campos secos e sem vida,
se logo, ao sentir o toque do vento, te agasalhas e preparas tua deixa,
se logo, ao primeiro raio de sol, te escondes e vais embora?

A água cantou. Em sua melodia, flocos brancos se abrigaram em teus flancos.
Espumas que cortavam as bordas se tornaram risos e se espalharam pelo caminho.

Mas caiu a noite, e tu fugiste com o sol.
E olho o céu vazio, e vejo o horizonte solitário,
contemplando o lugar onde tu sumiste,
como uma boneca de pedra que eu mesmo criei,
banhada pelo clarão nascente da manhã.