Gino, Sinvaldo de Souza

Poema: A Marcha do Lesburro

A Marcha do Lesburro

 

Arrasta-se lento pelo chão de giz,

Deixando um rastro que ninguém quis.

Demora uma era para um passo dar,

E outra eternidade para raciocinar.

 

A força da lesma está no andar devagar,

Que assiste o mundo inteirinho passar.

Mas se você tenta o rumo corrigir,

A casca endurece, ele se recusa a ouvir.

 

Empaca no lodo, não sai do lugar,

Nenhum argumento o faz avançar.

O lado do burro desperta o pavor:

Ignorância crônica com pose de doutor.

 

Vagaroso na mente, teimoso no agir,

Ninguém sabe como ele quer competir.

Se o tempo avança, ele fica para trás,

Orgulhoso do pouco ou nada que faz.