A Marcha do Lesburro
Arrasta-se lento pelo chão de giz,
Deixando um rastro que ninguém quis.
Demora uma era para um passo dar,
E outra eternidade para raciocinar.
A força da lesma está no andar devagar,
Que assiste o mundo inteirinho passar.
Mas se você tenta o rumo corrigir,
A casca endurece, ele se recusa a ouvir.
Empaca no lodo, não sai do lugar,
Nenhum argumento o faz avançar.
O lado do burro desperta o pavor:
Ignorância crônica com pose de doutor.
Vagaroso na mente, teimoso no agir,
Ninguém sabe como ele quer competir.
Se o tempo avança, ele fica para trás,
Orgulhoso do pouco ou nada que faz.