Certo dia, mergulhada na rotina pesada de uma universitária qualquer, peguei-me pensando em meu próprio pensar. Sempre tive ideias malucas, toda a vida desde garotinha mais nova, sempre pensei bastante, muita bobagem óbvia.
Entrei em uma qualquer cafeteira na universidade PUC MINAS, que qualquer não é, pedi café e salgado, 9 reais, vai débito, paguei. Lembro do rosto da moça, trabalha como eu. Sentei-me em um canto qualquer - que pensei ser poético, misturei o café, perdida naqueles pensamentos óbvios, me perfurando com perguntas sádicas que doem de tão interessantes, daí pensei: eu deveria ser escritora.
A partir daí, foi pior, pensei em tudo que poderia me fazer escritora, ou não. Sei dizer? Talvez não. Mas sei pensar, me veio a mente dito de professora “quem pensa escreve”, daí pense: a escrita é a forma mais pura de pensar, eu sei pensar, é por isso digo que foi nesse momento que decidi escrever, ali, na cadeira qualquer de loja qualquer, eu mesma era uma qualquer, - como a moça que trabalha entregando salgados e café, porque qualquer está no contracheque de todas nós - nossa, igual ao Severino. Daí pensei: vou escrever, afinal, sou escritora, se é que posso dizer ser uma com o ainda tão imaturo pensar, bom.. maduro até certo ponto por entender a minha imaturidade. Talvez não tão imaturo assim.
Levei o café até a boca…
Depois de pensar tanto, mais um pensamento óbvio:
Percebi que tinha colocado sal ao invés de açúcar.