A seda negra que a noite veste
Sombra o mistério da tua pele,
Lento o desejo na luz se tece,
O ritmo brando no peito mexe,
No primeiro toque que a alma pede,
Na chama sutil que a mente impele.
O corpo assume o comando firme,
Aumenta o galope sobre o teu dorso,
A transparência que não se inibe
Desenha a curva que o tempo exibe,
Acelera o pulso em doce esforço,
A respiração sem achar socorro.
No ápice supremo dessa travessia,
A dança alcança o seu auge puro,
O movimento em vertigem guia,
Rompe o suspiro que a noite ânsia,
Fundem-se as forças no escuro fundo,
E o êxtase coroa o fim do mundo.