Areia MC 084

Enquanto VocĂȘ Dormia

Eu vi a minha própria mente ir lutar contra si mesma

Certezas desabarem, tirando livros da mesa

Minha vida é condicionada de segunda a sexta

Nem minha sina sai ilesa, refém da própria fresta

Assassina como jovens bestas de direita

Que não entendem o peso que tem uma caneta

Vi esse peso por mim ser confundido com uma magia

Enquanto você dormia, fiz dela A Última Ceia

Transformei sangue em vinho, acho álcool baboseira

Cruel como Saramago, eu faço a minha cegueira

Aprendi antes de livro que cada um tem seus prazeres

Um lembrete: A própria dor é uma droga viciante

Odeio meus amores, lógica contraditória

Vi filhos de ditadores distorcer em a história

Dá um close nos livros: “Preto escravo ou escória?”

É que eu sei porque o passarinho canta na gaiola

Clássico como Lispector é fazer desde o feto

O que escrevo grava direto na minha memória

E cada verso que caneto reforça o meu lema:

“Sempre se proteja de possíveis cavalos de Tróia”