Avylla s. santosx

Asfixia

Não tenho casa.
Não falo de estrutura física.

Não tenho lugar seguro,
não tenho lugar de paz,
não tenho lugar para me abrir.

Antes que digas:
“tua casa está dentro de ti.”

Eu não gostaria de morar em mim.

Não gostaria de morar em meu vazio,
em minha tristeza,
minha angústia,
meu silêncio,
meu barulho,
minha bagunça...

Em mim.

Não gosto de viver em minha casca.
Não almejo continuar vivendo em minha mente.

Desassocio de minha realidade,
de meu corpo e vida.

Por não ter casa,
eu afundo no meu mar,
cada vez mais me afastando de mim,
perdendo minha alma,
minha vida.

Às vezes deixo, por cansaço, transparecer
o eco que habita em mim,
a sensação de sufoco que me ocorre,
o ar que se esvai de meus pulmões.

Então, por não ter casa,
coloco minha máscara
e sofro, em silêncio,
com minha asfixia.             


Avylla