Malvado! Por que me privas de ti?
Que pecado cometi, que fiz de errado,
para merecer tão duro resultado,
se nada além de querer-te eu pedi?
Qual foi o meu delito? Dize-me, enfim,
que culpa pode haver em desejar
ouvir tua voz, teu sorriso contemplar,
se antes tão perto estavas de mim?
Hoje, distante, compreendo o que escondia:
não sabia o quanto eras importante,
nem quanto tua ausência doía.
E se já não posso dizer-te o que sinto,
deixo aos versos aquilo que, hesitante,
meu coração calou por instinto.