Às vezes me pego perdido
entre dois nomes para o mesmo silêncio:
solidão ou solitude?
Poucos percebem a diferença.
Eu mesmo, por vezes,
me confundo entre as duas.
Há dias em que estar sozinho
é como abrir a janela
e deixar a alma respirar.
Noutros,
é fechar todas as portas
e ouvir o eco de quem eu era.
A solidão chega sem bater,
senta ao meu lado
e ocupa até o espaço
que eu julgava vazio.
A solitude, não.
Ela pede licença.
Chega devagar,
como a luz atravessando a cortina
numa manhã sem pressa,
e me ensina que minha própria companhia
também pode ser casa.
Mas como saber
em qual delas estou?
Às vezes,
eu e minha verdade
sentamos em silêncio.
Não dizemos nada.
Apenas ficamos ali,
olhando um para o outro,
como dois desconhecidos
que passaram tempo demais
morando no mesmo peito.
Talvez eu não esteja sozinho.
Talvez esteja apenas
aprendendo a me encontrar
quando ninguém mais está por perto.
Talvez o silêncio
não seja vazio,
mas um espelho
onde finalmente consigo me enxergar.
Porque há noites
em que a solidão grita.
E há outras
em que a solitude sussurra:
“Fica.
Você também é um lugar
onde pode descansar.”
E, quando tudo silencia,
percebo que talvez nunca tenha procurado
por alguém para preencher o vazio.
Talvez eu só precisasse
aprender a ouvir,
no silêncio do mundo,
o eco de mim.