Junior Silva

O Eco de Mim

Às vezes me pego perdido
entre dois nomes para o mesmo silêncio:
solidão ou solitude?

Poucos percebem a diferença.
Eu mesmo, por vezes,
me confundo entre as duas.

Há dias em que estar sozinho
é como abrir a janela
e deixar a alma respirar.

Noutros,
é fechar todas as portas
e ouvir o eco de quem eu era.

A solidão chega sem bater,
senta ao meu lado
e ocupa até o espaço
que eu julgava vazio.

A solitude, não.
Ela pede licença.

Chega devagar,
como a luz atravessando a cortina
numa manhã sem pressa,
e me ensina que minha própria companhia
também pode ser casa.

Mas como saber
em qual delas estou?

Às vezes,
eu e minha verdade
sentamos em silêncio.

Não dizemos nada.

Apenas ficamos ali,
olhando um para o outro,
como dois desconhecidos
que passaram tempo demais
morando no mesmo peito.

Talvez eu não esteja sozinho.
Talvez esteja apenas
aprendendo a me encontrar
quando ninguém mais está por perto.

Talvez o silêncio
não seja vazio,
mas um espelho
onde finalmente consigo me enxergar.

Porque há noites
em que a solidão grita.

E há outras
em que a solitude sussurra:

“Fica.
Você também é um lugar
onde pode descansar.”

E, quando tudo silencia,
percebo que talvez nunca tenha procurado
por alguém para preencher o vazio.

Talvez eu só precisasse
aprender a ouvir,
no silêncio do mundo,
o eco de mim.