A sombra sopra fria no canto do quarto, A luz da vida cede e o sopro fica curto. Mãos trêmulas seguram o véu de se despedir, Contando cada conta antes do sol partir.
Num suspiro suspenso, a linha cede ao fim, O terço se rompe e espalha sobre o marfim. Pérolas rolam soltas, caindo pelo chão, Símbolos de uma prece, restos de uma oração.
Dizem que o medo colhe a dor de quem descansa, Que a fé se despedaça e perde a esperança. \"Já aconteceu, mas não aqui\", murmura a voz do ar, Pois a alma livre voa, sem nós pra segurar.
As contas no soalho ficaram pelo caminho, Mas o espírito parte inteiro e sem espinho. O terço se desfez na hora derradeira, E a paz cobriu o corpo na eterna saideira.