Jose Rinaldo Pinheiro Leal

O Incêncdio No Silêncio

E o que faço eu com este peito que transborda,
quando o teu passo simples desarruma o meu chão?
Toda vez que te vejo, a razão se desdobra,
e o tempo vira um golpe dentro do coração.
Minha boca se fecha, mas a alma vocifera.
Só o silêncio fala a língua do meu espanto.
Teu olhar me paralisa, a física me altera,
numa fervura interna que nem sei dizer o quanto.
Volto a ser garoto, sem mapa e sem cartilha,
despido das certezas que o tempo me ensinou.
Subjugado pelo mistério de quem apenas brilha,
preso nesse feitiço que o teu rastro deixou.
Te admiro como o sol que se derrama no horizonte,
num alarde de cores que eu não posso tocar.
Sei que és o alcance que a mão não alcança,
mas és tudo o que os meus olhos sabem desejar.
Se o corpo borbulha e a voz não encontra ponte,
que o meu silêncio ao menos saiba te guardar.