Ebelac C.

O Funil

Largos os pensamentos; compridas são, as dores da decepção; cheio do amargo doce que desce desabando depois da queda

Um cio; uma noite, um vício, uma idéia, vídeo de despedidas e o balançar de mãos, o começo da manipulação.

E partiu, pediu divórcio, rápida como órfã, casando-se com a gravidade, esqueceu da inércia.

Ao olhar para baixo contemplou o plasto sem cor e lembrou-se do amor, mas era tarde.

Grande era a ruína, inevitável sina de subversão, jogar fora o que um dia foi canção.

A grande escuridão crescia ao seu redor, nada pararia o horizonte de seu evento;

Já fora perdido o tempo e os gritos já não podiam ser ouvidos, acreditados;

E o conhecer se tornou um grande vácuo, um ardil; maldito embaraço;

Assim se tornou funil, derramando o amor que hoje soa frio

Silencioso; morto; existente no mais profundo e triste;

Vazio.