Neste deserto que percorro,
cruzo-me com diversos camaleões.
Foi através do meu pedido de socorro,
que eles me abriram os braços como anfitriões.
Mas a sua simpatia durou por pouco;
Eles encaram-me, julgando-se muito superiores.
Vivem apegados e castigados num ciclo louco;
E ainda se apresentam com as suas doutrinas de doutores.
O calor abrasador me coloca num estado alerta;
Tudo porque tenho andado a investir na descoberta;
Felizmente que a passagem por estas bandas é temporária;
Não aguento mais deambular nesta situação precária.
Camaleões vestidos com pele de serpente;
Vivem camuflados na sua zona de conforto.
Eles fazem de tudo para envenenar a minha mente,
mas ainda assim me desvio do seu trajeto torto.
Eles não passam de camaleões;
Mudam de cor, conforme as situações.
Eles desconhecem o parâmetro das minhas lições;
Aquelas que eu adquiri das minhas pesadas aflições.
Camaleões que vivem rendidos à ilusão;
Fizeram das aparências a sua única solução.
Eu sacudo a areia debaixo dos pés,
marcando passo em direção às livres marés.
Não passam de infelizes camaleões,
satisfeitos com a pequena dimensão do seu mundo.
Enquanto me subestimam, julgando-se grandes valentões;
Enriqueço a poesia com o que há de mais profundo.