Trazemos nos ossos o peso do tempo,
um sopro antigo de um verbo distante.
Somos feitos de poeira e vento,
a máquina e o átomo em curso constante.
O código vivo que hoje nos habita
já foi labareda, já foi flor e chão;
uma frequência que a terra repita,
no tom do silêncio e na dor do trovão.
A matéria é só um traje emprestado,
o desmonte sutil de um breve arranjo.
O homem se veste do tempo passado
até ver seu código ser sopro de anjo.
Desconecta-se a fita, desfaz-se o traço,
o universo recolhe o que sempre foi seu.
A alma se expande, transcende o espaço,
pois a roupa de carne jamais a prendeu.
E quando esta veste perder o sentido,
na linha do tempo dobrada num ponto,
nenhum só pedaço será esquecido:
seremos a história de outro confronto,
o eco da luz numa nova alvorada.