Imagno Velar

Corpos em Sussurros

Bordel e virgindade, antagónicos,
Noites que se estendem em ecos de silêncio.
Os nãos que recebi abriram caminho
Para os poucos sins que me consumiram.

 

Cortês, hesitante,
Oligofrénico, tropeçando em mim mesmo,
Pé a pé atravesso a linha tênue
Que separa desejo e perdição.

 

Balbuciei passos que ninguém ouviu,
O espelho devolvia reflexos que não eram meus.
Desejos misturados com culpa
Arrastam-me por corredores sem portas.

 

A pele lembra o que a memória tenta esquecer,
A voz vacila entre vergonha e fascínio.
O chão queima sob pés incertos,
Até que a queda se faz inevitável,
E o silêncio, pesado, reclama o que me pertence.

 

Imagno Velar