Domingo à noite.
Saí do trabalho cansado,
mas não fui para casa.
Passei no mercado,
comprei duas cervejas
que nem gosto de beber.
O gosto era amargo,
como sempre.
Sentei no ponto
e esperei.
20:40.
21:00.
21:20.
Foi quando o terceiro onibus passou
Que eu percebi:
eu não estava esperando o ônibus.
Estava esperando
alguma coisa
que me desse um motivo
para não voltar.
Porque aquele trabalho barulhento,
mesmo cansativo,
mesmo sendo domingo,
ainda parecia melhor
do que chegar em casa
e ouvir
o silêncio
me esperando.