Alex Azambuja

Domingo à noite

Domingo à noite.

Saí do trabalho cansado,

mas não fui para casa.

 

Passei no mercado,

comprei duas cervejas

que nem gosto de beber.

 

O gosto era amargo,

como sempre.

 

Sentei no ponto

e esperei.

 

20:40.

21:00.

21:20.

 

Foi quando o terceiro onibus passou

Que eu percebi:

 

eu não estava esperando o ônibus.

 

Estava esperando

alguma coisa

que me desse um motivo

para não voltar.

 

Porque aquele trabalho barulhento,

mesmo cansativo,

mesmo sendo domingo,

ainda parecia melhor

 

do que chegar em casa

 

e ouvir

o silêncio

me esperando.