Em prosa rasa eu digo e sigo a ânsia,
De achar no tempo o amor que ainda é âmbar;
Mas na poesia a carne tem ganância
De ver no mundo a luz que faz dançar.
A mente busca a ordem na argila,
O pensamento erguendo a catedral;
A rima entra e o verso se perfila,
Tocando o fundo do enigma vital.
Não é só carne, é pulso e arquitetura,
É a razão que aceita o seu limite;
O corpo acende a antiga formosura,
No fogo que o cosmos precipite.
Eu quero crer na quentura que habita
Nos braços nus, na pele que respira;
A filosofia em brasa que palpita
E faz da vida o som de uma lira.
Pois há no Sol a física e a harpa,
O astro ardor que aquece e que ilumina;
E a estrela fria, na distância farpa,
Guia o destino e a rota que fascina.
Conhecerei o amor, não tenho dúvida,
Ele há de vir na hora em que for fado;
A alma que busca nunca sai relicuda,
Traz o calor do tempo resgatado!