nekodemos

O coral da dor continua a cantar

Ando pela casa imaginando cenários 

Em um momento, estou num palco performando um movimento exagerado enquanto atinjo uma nota aguda. 

Em outro, estou dirigindo uma orquestra. 

Me perco na música.

Nela me sinto livre, mas distante da realidade. 

 

Escapismos, como o sono, são um ensaio para a morte. 

Há muito tempo estive como um zumbi.

A solidão me corrói a mente; removo os fones e o que tenho é o silêncio. 

Reverbera o barulho da cidade que entra pela janela. 

 

Fim do dia chega logo; no banho, eu reclamo da solidão. 

Me consumo por raiva e pelo desejo de autodestruição.

- Que me caia um sono longo, já não quero mais existir- tir tir (canto uma ópera irônica para um desejo real).

Nunca tive um lugar no mundo; a música me acolhe, mas até a deusa do som deve se cansar de mim às vezes.

 

Depois que me deito, não consigo dormir. 

O coral da dor continua a entoar melodias em uníssono. 

Já aprendi que reclamar não leva a nada. 

- Adeus, adeus, bye-bye. (Eles cantam enquanto eu fecho os olhos, prestes a dormir.)

O coral da dor se torna meu lullaby. 

- Quero cair num sono profundo, sem sonhos, e nunca mais acordar. 

Deixar de existir.