Minha infância foi um inferno
Não teve neve no inverno
Ninguém pegou leve no interno
Auto homem figura paterno
Sonho materno
Ao complexo de morto
Sonho a rejeição
E o nascer do pilar
Escrevi sobre o meu ego
Por isso eu me nego
Eu prego
Um papel
Um rapel
Eu desço
Então rasgo meu peito
Quebro esse falso respeito
Reajusto meu jeito
Prejeito
Novo conceito
Pré-conceito
Sem preconceito
Lutei por mim
Não quis que fosse assim
Mas não teve escolha
Lutando contra o fim
Me ligo uma antena
Não tenha pena
E pra me sentir eterno
Visto um terno
Meus sentimentos em segundo plano
Velho humano
Novo ser
Em linhas antigas eu disse
Então venha perceber
Tô tentando azular meu entender
Guerreiro sozinho tentando vencer
Tentei me segurar em um galho
Ele era falho
Tentei me segurar em incertezas
Me perdi nessas correntezas
O amor nunca foi uma certeza
Primeiro sentimento que foi me entregue
Rejeição
E eu tentando uma mudança de visão
Tô cego pelo toque de midas
Toque de narciso
E o toque da afrodite
Por favor acredite
Por favor me ame
Jovem raro em caminhos estreitos
Em rosas que o machuca
Mas ele não solta
Ele não se revolta
E ainda volta
Aturando o peso da própria solidão
Pois sabe que sua confiança
Não pode ser totalmente depositada
Coisas que não pode ser contada
Talvez os anjos escutem meu choro
Nessa madrugada te imploro
Maldade que devoro
Bondade que me distâncio
E o vazio que vem ao frio
Rimas repetidas
Diálogos que me entediam
E se eu procurar novas chances
Vai ser um veneno
No espelho me perdendo
O rosto se vendo
Remoendo
No peito um silêncio doendo
Derrepente um vazio tremendo
Eu venho percebendo
Me solto nesse veneno
Ao passar dos dias
Viro cura
Além do homem
Vasto alem
Vem
A mim
Própria potência
E temerei a derrota
No dia que perder minha esperança
Que canta com a lança.