Ebelac C.

Paralelos

As algumas linhas que juntas ficaram por bastante tempo, paralelas são por nunca se encontrarem.
Mas em um infinito fim tão tão distante, se entrelaçarão como fortes mãos presas ao acaso.
Como astros relapsos, densos e esmagados, pelo abismo escavado
de um passado frustrado

Fervente malha agitada   
Sem direção corre angustiada
Mostrando que não tem o que perder
quando o sol esqueceu de esquecer

E esse foi o alvorecer, quando descobri que a chuva passou e molhou seu buquê
Rasgou seu anel tapeço com todo amor
Era de vidro e se quebrou

A morte chegou e esse foi o adormecer rápido e eloquente
Mas não tanto para apagar as fulgentes marcas ardentes
Transformaram aventuras e desventuras em meros acidentes
A ilusão de um ego atormentado e dormente.

E esse foi o expirar, como um tilintar sob a luz do luar.
Um vinho derramado e servido no jantar
A badalada final em um certame triunfal:

Nesta noite, surgiu o calor que coloriu e pintou.
As cicatrizes de flor, feito cálice de amor.