Mais um dia tendo que lidar com a insônia,
e já nem sei dizer o que é sonhar.
[da uma vontade danada de gritar]
Se meus olhos recusam a noite,
que descanso poderia me alcançar?
Meus olhos já estão pendurados,
coçam, ardem, pesam cansados,
e mesmo assim, teimam em não se fechar;
como se até o sono, diante deles,
tivesse desaprendido a chegar.
Três noites atravessadas sem repouso,
três madrugadas me vendo despertar,
e quanto mais o corpo implora descanso,
mais minha mente insiste em continuar.
Sonho acordada, presa aos pensamentos,
fabricando repouso onde ele não há,
inventando algum breve alento
para o corpo cansado não desabar.
Talvez seja a idade se aproximando,
trazendo perguntas que eu não sei calar,
ou essa ansiedade, tão pontual,
que escolheu justamente este ano para me acompanhar.
E enquanto o mundo inteiro adormece,
minha mente insiste em permanecer,
revirando lembranças, planos e receios,
como se tivesse medo de me deixar esquecer.
Eu queria apenas algumas horas
em que o pensamento pudesse se aquietar,
um intervalo entre mim e meus próprios ruídos,
um lugar onde eu pudesse, enfim, repousar.
Porque tem noites em que não falta sono
falta silêncio para ele chegar.
E eu, de tanto sonhar acordada,
já não sei se descanso
ou apenas aprendi a esperar...