A verdade não repousa.
Move-se.
No pântano que respira.
Verônica veste preto.
Ela não está lá.
Isso é o melhor dela.
As bruxas dançam.
O ar pesa.
Ela gosta.
Espíritos fracos
com deuses distraídos.
Instável como vapor
quando alguém olha.
A noite abre janelas.
Marés.
Refluxos.
Sons que ninguém fez.
Ela sabe.
Ninguém sabe.
Suas mentiras são finas.
Não se encaixam.
É de propósito.
As bordas irregulares
cortam quem tenta juntar.
Tesouras invisíveis.
Ela segura.
Ninguém vê a mão.
Provocar é um gesto.
Ela provoca.
As bruxas flutuam.
Ela voa.
Ela vai.
Levando a chave.
Como sempre.
Quem some não morre.
Quem morre é a outra.
E ele, coitado,
acredita em amor orgânico.
Gavetas de Ayalah
de Ayalah Verônica Berg