A solidão bateu uma vez.
Eu abri a porta.
Nada.
Só o cheiro de chuva,
cigarros mortos
e uma cadeira sob a luz amarela,
com uma sombra sentada nela
que não era minha.
Ela me esperava
há mais tempo que Deus.
Eu me sentei.
Lá fora,
um carro passou pela rua molhada
como uma navalha atravessando a noite.
O quarto não disse nada.
Nem a cadeira.
Nem a sombra.
E foi então que percebi:
algumas coisas não precisam falar
para saber exactamente quem você é.