Às vezes,
minha mente divaga
entre o real e o imaginário.
Tento buscar, dentro de mim,
o sentido de o humano querer ser
aquilo que não é.
Talvez seja importante para o outro
criar um personagem,
vestir-se de alto padrão,
construir uma imagem
que corresponda àquilo
que esperam dele.
Ou que ele mesmo esperava ser?
Mas então...
quem é o outro?
Para que ele serve?
O que ele acrescenta
quando se trata apenas de mim,
dos meus pensamentos,
dos meus lamentos,
da minha necessidade de ser?
Ser tão somente
EU.
Sem personagem.
Com aparência - aparência do que SOU.
Sem a necessidade de agradar.
Apenas eu,
diante de mim mesma,
tentando descobrir
se existe, afinal,
alguma diferença
entre aquilo que sou
e aquilo que inventei
para que o outro admirasse
que eu sou.