Você já não sabe amar.
Bebe para não sentir.
Ninguém te julga.
Ninguém te segura.
Anda como espírito.
Mas a dor tem corpo.
Tem dentes.
Busca abraços.
Ofereço os meus.
Com espinhos por dentro.
Encosto devagar.
Para que não percebas.
Sangras.
E eu me lembro das minhas feridas.
Não por pena.
Por reconhecimento.
Quando eu encontrar um jeito.
Eu te salvarei.
Não interessa se queres.
Vem comigo.
Céu no inferno.
Para sempre.
Ou até a eternidade bocejar.
À Teia
de Ayalah Verônica Berg