A perda sempre foi minha melhor amiga,
Sempre presente nos bons e momentos ruins.
Todos os dias ela permanece,
Mesmo não sendo necessária,
Rouba as cores que o mundo costumava ter.
Caminhando comigo em cada passo,
Ela muda os meus planos, ditando o meu fim,
Deixa o cansaço no lugar do abraço,
E, aos poucos, arranca o que há em mim.
Eu sigo andando com esse peso,
Tentando entender o que restou no chão,
Recolhendo os cacos de cada tombo,
Enquanto a ausência me aperta a mão.
E agora eu grito que estou cansada dela,
Dessa presença que só sabe sugar,
Cansei de olhar a vida pela janela,
Com um fardo pesado que não quero carregar.
Pois meu maior fardo é essa dor tamanha,
Que na minha história sempre vai habitar,
Mesmo que a solidão seja quem me ganha,
Mesmo que só ela reste para ficar.