Vem, noite! Trazes para mim o vinho de meus sonhos.
O lobo que rasga o véu dos mundos cavalga em seu cavalo amarelo;
Seu beijo sombrio petrifica a casca humana,
E o olhar frio rouba-me o calor da vida.
Maldito! Abraça-me: atirei-me do abismo e só tu podes levar-me.
Viajei perdida, deslumbrei-me na dor,
Apaixonei-me pelas sombras que me assombravam.
Dormi com serpentes; jantei o moribundo
E cacei como as hienas.
Meu amado é amante, infiel demais:
Não me ama, e não te ama.
Atraída pela escuridão que carrego, torno-me a oferenda do cavaleiro,
Que me embriaga em seus encantos, conduzindo-me ao despenhadeiro.