Asas quebrantadas, penas espalhadas para uma escrita qualquer
Passarinho disposto e pronto
Com suas asas abertas em direção a um voo
Voo enigmático, cansativo e longínquo
Com seus pequenos olhos mirados em um espesso e fino galho.
Assim voei;
Voei sem mira, sem acaso, sem destino...
Assim mirei;
Sem lugar, sem direção, sem destino...
Lugares pertencentes, ora se tornam apenas uma visita, íntima ou amigável, ora inimiga, triste e vulnerável
Uma escrita com pouca tinta, pouco lugar a se escrever
Linhas tortas e cansativas
Apagadas e manchadas por tintas passadas.
Sobra apenas uma nova inserção, um novo volume de folhas e papéis limpos e brancos
Albinos e perfeitos a serem dispostos em uma nova e volumosa pasta
Sobra apenas uma nova lista, um novo bloco de notas a se reescrever
Uma tinta preta, pastosa e novinha a carregar em um bolso limpo, com seu terno comprado a pouco
Pouco tempo antes de uma límpida e formal renovação.
Uma mistura de sentimentos, colocados sem dó nem piedade
Se espalham por uma vasta imensidão de corpos e retalhos de um mero coração
Despido, quebrado por um único e grande amor
Uma única e mera vontade de retratação, de perdão.
Salva-me desta disputa
Salva-me desta incansável luta
Salva-me desta asa cansada e despida
Salva-me de ti!
Uma saída localizada, porém enviada, inacabada
Um querer sem reciprocidade, sem vontade
Um dor latejante e esgotante
Volta-te, Toma-te o que sempre será e o que sempre foi seu por direito.
Retorna-te, e leve sua coroa, sua gentil e bela pluma
Sempre disposta a mais uma. Uma lua que não brilha sem a sua loucura, sem a sua gigante e linda cura.
GabrielMARIA