No abismo curvo de um buraco negro a existir,
Guardo em silêncio tudo o que não pude te dizer,
Além do horizonte, onde o tempo deixa de fluir,
Teu nome ecoa, mesmo sem jamais te ver,
Como um universo oculto que insiste em persistir.
Se o amor é escuro como a matéria a nos envolver,
Invisível aos olhos, mas impossível de negar,
Ele expande em mim como energia a me mover,
Tal qual o cosmos que não cessa de se alongar,
Mesmo quando tudo parece se perder.
Fomos talvez dois mundos em paralela dimensão,
Separados por um rasgo sutil no espaço-tempo,
Um buraco de minhoca jamais aberto à nossa união,
Onde teu toque ficou preso no contratempo,
E eu, refém de uma eterna dilatação do coração.
Na gravidade quântica dos teus gestos mais sutis,
Meu ser colapsa entre o certo e o improvável,
Inflando memórias num passado que ainda quis,
Ser presente, mas tornou-se inalcançável,
Como um multiverso onde ainda somos felizes.