Tiago Santos

Tal qual um café, adoçar

 

Eu estou sem poesia,
o dia é cinza e lamento.
Meus olhos, reclusos em suas funções,
não me propinam inovações,
só a métrica cítrica
que normalmente todos podem ver.

Porém, basta de tanta insensatez:
não suporto a normalidade
de querer ver por vez,
quando tudo é um amontoado de cores,
movimento e sabores.

Não sou capaz de normalidade,
de nascença poeta
e de vida alucinador.
Pois à história por onde vou
não basta o dia e a noite;
tem que ser tarde para os labores.

Necessário pensar em anormalidade,
que os olhos sensatos jamais irão enxergar.
É necessário mesclar a realidade
para, tal qual um café, adoçar.