ingridanjos

Há anos que não passa

a dor de não pertencer me corrói

como se eu devesse algo que não sei

um vazio que me cerca

a noite que não vem

os dias que não passam

as horas me preenchem com um vazio jamais visto

como pode eu me perder de mim?

sem mais, sem rota

só uma alma vazia pairando pelos dias

como pode um vazio me preencher tanto?

da mesma proporção que me consome, me destrói

cansei do muito que não me acompanha

das palavras que não se escutam

explicar parece não resolver

espero ansiosamente pelo amanhã

aquela sensação de que o vazio de hoje possa ser dividido

como se algo grandioso me aguardasse

como se, ao dormir, as coisas se apagassem

acordo igual

a mesma —

a mesma de ontem

a mesma de semanas atrás

com o mesmo vazio no peito

e percebo — que as horas não passam faz anos

que os dias não sejam sobre esperar o amanhã

que o tempo me esqueça

e o universo me atenda