Shmuel

A cidade repousa

A cidade repousa

 

Enfim, a cidade está em paz,

Sem murmurinhos nas ruas,

Sem som,

Sem o homem que grita ao microfone.

Ouço pássaros cantando

De tanto barulho se estressaram.

A cidade está quieta e sonolenta.

Dentro das casas,

réstias de luz invadem as janelas.

Mulheres e homens infelizes

ou quase felizes, repousam.

Uma criança tem pesadelo e se agita,

enquanto alguns gatos ainda se

divertem nos telhados.

Eu vou olhando as fachadas

e desviando dos postes

mal posicionados nas calçadas.

Um cachorro vasculha o lixo.

Essa cidade produz seu próprio lixo.

A cidade agora está calma.

Amanheceu por completo.

Silenciosamente piso em suas ruas,

Passo por seus bêbados

e suas moças de salto.

Sem sobressalto, identifico uma casa:

A minha.

Entro e ela generosamente me abraça.

 

Shmuel