A cidade repousa
Enfim, a cidade está em paz,
Sem murmurinhos nas ruas,
Sem som,
Sem o homem que grita ao microfone.
Ouço pássaros cantando
De tanto barulho se estressaram.
A cidade está quieta e sonolenta.
Dentro das casas,
réstias de luz invadem as janelas.
Mulheres e homens infelizes
ou quase felizes, repousam.
Uma criança tem pesadelo e se agita,
enquanto alguns gatos ainda se
divertem nos telhados.
Eu vou olhando as fachadas
e desviando dos postes
mal posicionados nas calçadas.
Um cachorro vasculha o lixo.
Essa cidade produz seu próprio lixo.
A cidade agora está calma.
Amanheceu por completo.
Silenciosamente piso em suas ruas,
Passo por seus bêbados
e suas moças de salto.
Sem sobressalto, identifico uma casa:
A minha.
Entro e ela generosamente me abraça.
Shmuel