Fábio Alves Leão

BANQUETE ÀS MONERAS

O vento forte

À porta fecha

Meu coração sufoca

Alvo certeiro de uma flecha

 

A noite sombria e silenciosa

Sucumbiu o brilho ardente de um dia de outono

Que nesta vida ociosa

Fui jogado ao relento de meu profundo abandono

 

Apenas um barulho macabro

Despertou meu instinto animal

Um rugir profano, terrível estalo

O pesadelo do instante final

 

Sou agora banquete servido às moneras

Sentimento perdido, degenerado

Abrigo de seres que se fartam a podridão da matéria

Que também se esvaem por este corpo dilacerado