O vento forte
À porta fecha
Meu coração sufoca
Alvo certeiro de uma flecha
A noite sombria e silenciosa
Sucumbiu o brilho ardente de um dia de outono
Que nesta vida ociosa
Fui jogado ao relento de meu profundo abandono
Apenas um barulho macabro
Despertou meu instinto animal
Um rugir profano, terrível estalo
O pesadelo do instante final
Sou agora banquete servido às moneras
Sentimento perdido, degenerado
Abrigo de seres que se fartam a podridão da matéria
Que também se esvaem por este corpo dilacerado