Ao olhar-te, um mistério se criou,
e um portal dentro de mim se revelou.
Não pude descrevê-lo,
tive apenas que me conter,
porque um suspiro, lá no fundo,
insistia em nascer.
E naquele instante,
o encontro das almas estava ali.
Fui levada a outra dimensão,
mesmo permanecendo com os pés no chão.
Como se o tempo tivesse silenciado
só para nos permitir existir.
Ah, como quero encontrar-te...
Como quero ver nossas almas bailando,
antes mesmo de nossos corpos se tocarem.
Antes que teus lábios se encontrem com os meus,
tu tocaste os sinos dentro de mim.
Antes de poder sentir teus dedos sobre o meu rosto,
inquietaste as borboletas
que eu julgava já estarem prestes a morrer.
Que há dentro de ti
que me perturba tanto assim?
Que força é essa,
que atravessa minhas defesas
e encontra lugares em mim
que eu mesma já havia esquecido?
Quanto tempo terei de esperar
para que essa jornada aconteça?
Será que ficará apenas aqui dentro,
presa no silêncio,
sem nunca conhecer a explosão
de tudo aquilo que sinto?
Eu quero gritar aos quatro ventos
a felicidade que começa a nascer.
Quero sacudir-te
como a brisa sacode a campina,
sem medo, sem medida,
fazendo tudo ao redor se mover.
Quero perder-me em ti
e, ao mesmo tempo, encontrar-me.
Quero morar em teu abraço,
repousar no teu olhar,
e descobrir, pouco a pouco,
se o que minha alma pressente
também vive dentro da tua.
Quero que nossas almas dancem,
que nossos silêncios se entendam,
que nossos olhos confessem
aquilo que a boca ainda não ousou dizer.
E se for para chegar...
que venha inteiro.
Que venha sem medo.
Que venha com verdade.
Porque eu não quero apenas tocar-te.
Quero sentir-te.
Não quero apenas beijar teus lábios.
Quero conhecer o caminho
que existe entre tua alma e a minha.
E, se em ti houver um lugar para mim,
quero ficar.
Não como quem prende,
mas como quem encontra.
Quero morar em ti,
sabendo que, enfim,
encontrei meu porto seguro.