Isaias Silva

DESGASTADO

 

Sinto-me meio desgastado,

como se o tempo tivesse corrido depressa demais

para alguém que tem apenas 20 anos.

 

Meu corpo dói por causa do dia anterior,

cada parte parece carregar o peso do que passou.

Mas, mesmo assim,

a vontade de voltar àquele momento é tão grande

que quase faz a dor perder o significado.

 

Como se eu não ligasse para o cansaço,

nem para o corpo pedindo descanso,

porque, por alguns instantes,

eu encontrei uma paz que há muito procurava.

 

Também me sinto confuso dentro do meu relacionamento.

Mesmo depois de tantos anos,

ainda parece que não aprendi a amar do jeito certo.

 

Às vezes sinto que não sei cuidar,

não sei entender o outro,

quando nem os meus próprios pensamentos

eu consigo colocar em ordem.

 

É como tentar organizar uma tempestade

com as próprias mãos.

 

E existe esse medo silencioso:

uma hora eu sinto que tudo vai acabar,

outra hora imagino que pode eternizar,

mas, na maior parte do tempo,

o medo do fim fala mais alto.

 

Também me sinto como um personagem

que finge estar bem,

que finge estar contente.

 

Mas talvez o mais estranho

seja que eu realmente sou alegre.

 

Eu sorrio, eu brinco, eu fico feliz.

Não é tudo uma mentira.

 

Então por que, às vezes,

eu ainda duvido de quem sou?

 

Talvez eu seja justamente essa contradição:

alguém que consegue sorrir

mesmo carregando coisas que ninguém vê.

 

E, mesmo tendo conhecido a dor desde pequeno,

parece que nunca aprendi a lidar com ela.

 

É quase irônico.

 

Passei tanto tempo convivendo com a dor

que deveria saber o que fazer quando ela chega,

mas ainda me encontro perdido

quando ela bate à porta.

 

Às vezes, pensamentos ruins aparecem,

silenciosos, insistentes,

tentando me convencer de coisas

que eu sei, no fundo, que não valem a pena.

 

Mas eu sei que esses pensamentos passam.

São apenas visitas que aparecem sem avisar,

e eu tento não deixar que encontrem morada em mim.

 

Só queria encontrar uma maneira de me sentir em paz.

 

Talvez seja só isso que eu esteja procurando:

um pouco de silêncio dentro da minha cabeça,

um lugar onde eu possa respirar

sem precisar lutar contra mim mesmo.

 

Esse é somente um relato do meu desabafo,

uma coisa passageira

que visita a minha mente às vezes.

 

E, mesmo que eu encontre poucas maneiras

de amenizar aquilo que sinto,

escrever é uma delas.

 

Talvez colocar em palavras

seja uma forma de tirar um pouco do peso do peito.

 

Talvez a paz que procuro

não esteja em esquecer a dor,

mas em aprender, aos poucos,

que eu posso senti-la

sem deixar que ela me defina.

 

Escrito por mim,

ISAIAS SILVA SANTOS

 

Sábado, 05 de setembro de 2026

Finalizado às 22:03