Francisco Queiroz

Povoado

No povoado que habito...

a todas as vozes dou o tom,

crio as narrativas, os conflitos.

 

E de todos os estrangeiros,

de outros povoados,

capturo suas imagens,

faço-os cativos,

vítimas, heróis, vilões.

 

No povoado que habito...

esqueço que só habito eu,  

e todas as pessoas são personagens,

as interpreto como um ator iniciante.

 

Apaixonado, nocivo,

sou amado e odiado,

sou o autor dos dramas,

provocador de tempestades.

 

No povoado que habito...

às vezes grito por silêncio,

ninguém pode me atender.

 

Quero parar a peça...

acabar a farsa,

as falácias,

fechar as cortinas,

apagar as luzes.

 

Fico entre

não poder,

não querer.

 

Do povoado que habito...

quero ir embora.

Não sei onde fica a saída,

há um mapa comigo,

porém esqueci onde nele me deixei...