No povoado que habito...
a todas as vozes dou o tom,
crio as narrativas, os conflitos.
E de todos os estrangeiros,
de outros povoados,
capturo suas imagens,
faço-os cativos,
vítimas, heróis, vilões.
No povoado que habito...
esqueço que só habito eu,
e todas as pessoas são personagens,
as interpreto como um ator iniciante.
Apaixonado, nocivo,
sou amado e odiado,
sou o autor dos dramas,
provocador de tempestades.
No povoado que habito...
às vezes grito por silêncio,
ninguém pode me atender.
Quero parar a peça...
acabar a farsa,
as falácias,
fechar as cortinas,
apagar as luzes.
Fico entre
não poder,
não querer.
Do povoado que habito...
quero ir embora.
Não sei onde fica a saída,
há um mapa comigo,
porém esqueci onde nele me deixei...