O mundo me fez homem insípido,
de escolhas erradas e sonhos esquecidos.
Troquei minha paz por noites sem fim,
e fiz do meu erro um lar dentro de mim.
Meus fantasmas conhecem meu nome,
sentam à mesa, bebem minha fome.
Carrego seus olhos na palma da mão,
como velhos retratos de cada traição.
E caio — não grito, não peço clemência,
já fiz da ruína a minha residência.
Vou rasgando a alma em cada degrau,
sorrindo enquanto me torno banal.
Cantarolo entre dentes, sangrando por dentro,
abraçando o abismo como último intento.
Se a queda termina, eu nunca descobri —
só sei que, quanto mais fundo, mais longe de mim.
E sigo sorrindo, sem medo do fim,
com a noite inteira desabando em mim.
Talvez minha maior escolha, no fundo,
tenha sido cair sorrindo
no caminho errado do mundo.
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