marchel

LUNA

A Lua tem aparecido com frequência esses dias.
E ela teve a audácia de me hipnotizar por horas.

Talvez eu ainda seja inocente como naquela época em que era só uma criança e acreditava em tudo o que ela me contava. Ela brincava comigo: corria atrás de mim, escondia-se até eu chorar e, quando eu menos esperava, voltava com seu brilho, como se dissesse que nunca tinha ido embora.

Ela sempre me acompanhou.

Antes mesmo de eu perceber, aparecia nos meus sonhos, me chamando de longe. E há aquele dia que ficou marcado em mim  o dia em que ela pareceu tão grande que quase cabia inteira dentro dos meus olhos.

Quando eu era criança, acreditava que ela era feita de queijo. E ela nunca teve a coragem de me desmentir.

Mas eu cresci.

Comecei a aprender sobre as coisas, descobri algumas verdades e, aos poucos, fui deixando de acreditar nela. Fui ignorando suas fases, seus chamados silenciosos e aquela luz que um dia parecia feita só para mim.

Talvez ela tenha sentido minha falta.

Porque agora, depois de tanto tempo, voltou a me prender por horas.

E eu fiquei ali, olhando para ela, completamente hipnotizada.

Como se, por alguns instantes, eu tivesse voltado a ser aquela criança que acreditava que a Lua me seguia.

Talvez ela nunca tenha parado.
Talvez tenha sido eu quem parou de olhar.