Fábio Alves Leão

O ÚLTIMO “ATÉ LOGO”

No piscar suave de um único olhar,

O tempo devora o que a gente constrói.

O sopro da vida ensina a amar,

Enquanto o relógio, veloz, nos destrói.

 

O abraço de hoje não pede licença,

É dado sem ver o ponteiro girar,

Pois a sombra da ausência, sutil e suspensa,

Espera o momento de a vela apagar.

 

Cada encontro carrega a beleza sutil

De ser o primeiro, de ser o final.

Cada partida, sob este céu anil,

Pode selar o destino mortal.

 

Dizemos \"até logo\" ao fechar a porta,

Com a falsa certeza de um novo amanhã,

Sem ver que a distância nem sempre importa

Quando o destino corta nossa manhã.

 

Por isso, acolha o instante sagrado,

Sorria com a alma, escute o calor,

Pois o passo seguinte pode ser o passado,

E a única herança que fica é o amor.