No piscar suave de um único olhar,
O tempo devora o que a gente constrói.
O sopro da vida ensina a amar,
Enquanto o relógio, veloz, nos destrói.
O abraço de hoje não pede licença,
É dado sem ver o ponteiro girar,
Pois a sombra da ausência, sutil e suspensa,
Espera o momento de a vela apagar.
Cada encontro carrega a beleza sutil
De ser o primeiro, de ser o final.
Cada partida, sob este céu anil,
Pode selar o destino mortal.
Dizemos \"até logo\" ao fechar a porta,
Com a falsa certeza de um novo amanhã,
Sem ver que a distância nem sempre importa
Quando o destino corta nossa manhã.
Por isso, acolha o instante sagrado,
Sorria com a alma, escute o calor,
Pois o passo seguinte pode ser o passado,
E a única herança que fica é o amor.