Desafio o teu passo a pisar onde exatamente estás,
sem o resto de ontem, sem a sede do além.
Apenas um dia de trégua e de paz,
amar este instante e nada mais.
Pois o amor não caduca, morre menino,
pois, demanda coragem de ser amplidão,
é preciso ser vasto ao traçar o destino,
sem medo da própria e sutil solidão.
Brota no peito quando a alma está só,
mas encontra seu fim no cansaço do mesmo nó,
quando o estar apartado parece melhor e o silêncio sufoca o calor de uma voz.
Corre, então, e congela com pressa o segundo,
rabiscando de luz cada cena ao redor.
No reflexo da tela que encobre o teu mundo,
selfie-se quem puder ante o abismo maior.
Ser moldura do outro é perder o compasso,
quem é grande de fato aprende a faltar.
Não cabe em cabresto, não cabe em pedaço, nem nega a si mesmo pra se enquadrar.
Entre a pose fugaz e o instante do que existe,
o espelho pergunta o que resta afinal.
Se o passar destes anos em pressa consiste,
tua vida foi cena ou sopro real?
Olha em volta, desfaz o disfarce da hora.
Responde ao silêncio,
onde estás tu, agora?