Freddie Seixas

Eu só Quero Ser Eu Mesmo

Eu só quero ser eu mesmo.
Sem vestir a pele que o mundo escolheu pra mim,
sem carregar no rosto a expressão que esperam de um homem.
Mandam-me ocupar meu lugar, como se cada homem já nascesse com uma sentença escrita na testa.
Mas eu fui criança antes de ser homem.
Tive sonhos pequenos,olhos grandes, e acreditava que o mundo
era maior do que a crueldade dele.
Depois eu cresci.
E descobri que existem guerras que não precisam de bombas.
Basta uma visão diferente, um bolso vazio,
um ato errado, uma fronteira desenhada
por homens que nunca morreram nela.
Divisão.
Ricos contra pobres.
Homens contra homens.
E todos nós
com a mesma carne
por baixo da roupa.

Dizem:
Viva pela espada e morrerá pela espada.
Mas eu estou cansado de espadas.
Eu quero paz.
Não aquela paz bonita
que os políticos colocam em discursos, mas a paz difícil, aquela que começa quando um homem olha para outro homem
e finalmente enxerga a própria humanidade.

Tenho pecados.
Mais do que gostaria de admitir.
E talvez Deus saiba que algumas noites
eu mesmo não me perdoo.
Por isso eu peço fé.
Não para ser santo.
Não para ser perfeito.
Apenas para continuar sendo eu
num mundo que passa a vida inteira
tentando me transformar em outra coisa.
Porque o mundo é cruel.
Mas talvez a nossa maior rebeldia seja não devolver crueldade com crueldade.
Talvez ser homem
seja aprender a baixar a espada
mesmo quando ainda se tem força
para destruir.
Eu só quero ser eu mesmo.
E, se isso for pedir demais para um mundo tão acostumado a nos dizer quem devemos ser, então que pelo menos eu morra sendo aquilo que fui: um homem tentando não se tornar aquilo que feriu sua alma.

Por Freddie Seixas