Um dia meu coração palpitou com pureza.
Em euforia, com certeza, andava por aí.
Sorria e me imaginava como conquistador do mundo.
Era soldado afiando espada, e mataria Medusa.
Tremendo de medo, destronaria reis.
Colocando ordem em terras sem leis, como num jogo que joguei.
Dominaria dragões com voz alta.
E quando via a vida com olhar de romance,
Jurei que escreveria confissões em folha de caderno.
Embrulharia em duas rosas, e isso seria o início de um amor belo.
Mas a realidade, a realidade é que eu não importei muito.
Corri atrás da pureza que perdi e ainda mais me corrompi.
Atrás de um amor imaginário, fui pisado e cuspido.
- Sinto-me iludido.
Dizia, cansado de ser revirado pela deusa da infortuna.
- Sei que é culpa minha.
Confessava sem vontade real de mudar.
É fato que, mudando ou não, a minha compreensão é que eu nunca iria importar.
Sou de fato degenerado e inútil.