Algo mudou em mim naquela noite.
Não sei se foi o seu toque,
que chegava como choque
e deixava arrepios
por cada centímetro do meu corpo.
Não sei se foram as sensações
que você despertava em mim,
como se minhas células
já soubessem o caminho
antes mesmo de você chegar.
Ou talvez tenha sido o seu olhar.
Aquele maldito olhar
que me atravessou
como se procurasse alguma coisa
que já conhecia em mim.
E foi estranho...
Porque eu olhava para você
e havia uma familiaridade absurda
em meio ao desconhecido.
Como se alguma parte de mim
já soubesse o som da sua voz,
o peso da sua presença,
o jeito que você me faria perder
por alguns instantes
a noção de onde terminava o meu corpo
e começava o seu.
Talvez por isso tenha parecido tão intenso.
Não teve começo.
Não teve aquela distância tímida
de duas pessoas que acabaram de se encontrar.
Teve reconhecimento.
Como se a vida tivesse apenas
nos colocado frente a frente outra vez
depois de uma longa ausência.
E, naquela noite,
eu entendi que existem encontros
que não parecem encontros.
Parecem memória.
Parecem destino.
Parecem duas histórias
que, por algum motivo inexplicável,
se perderam em algum lugar do tempo
e finalmente encontraram
o caminho de volta.
Você não chegou.
Você voltou.
E talvez seja isso que ainda me assusta:
a sensação de que,
naquela noite,
eu não conheci você.
Eu me lembrei de você.