Um dia qualquer de setembro
Ouvi um barulho misterioso na janela do meu quarto. Primeiro fiquei apenas ouvindo. Agucei os ouvidos. Era um ruído quase silencioso. Como se fosse um cochicho muito baixinho. Como se não quisesse me acordar mas querendo me chamar. Pé ante pé me aproximei da janela. Encostei o ouvido direito, depois o esquerdo. Fiquei por alguns segundos tentando.
Era quase perfeitamente inaudível.
Uma imaginação? Fantasia ou alucinação? Queria abrir a janela pesada. Ela corre em um trilho que apita quando ela se arrasta. Fatalmente o barulho calaria.
Sem saber como agir para não ficar sem descobrir, ouvi mais um pouquinho. Continuávamos imóveis, o ruído e eu. Com minha expectativa já cansada e receoso em não saber do que se tratava, resolvi abrir. Demorei para descobrir se abria de supetão, para tentar um flagra, ou devagarzinho. Enquanto pensava, em um impulso assustado, puxei a janela para o lado. Nada, não tinha nada. O barulho continuava. Intrigado, olhei para todos os lados. De repente entendi um chamado. Ei, aqui em cima. Ergui os olhos, um misto de curiosidade e medo. Respirei extasiado pela beleza. Lá no alto, um céu quase claro, quase escuro revelava a origem.
Em silêncio absoluto estava me chamando com seu brilho matutino.
Fiquei olhando até a luz do sol substituir a luz da lua.