Tirei uma pedra no meio do meu trilho,
um corpo que pedia do meu peito o próprio brilho,
mas o lirismo doente daquela secreção lenta,
nem a seiva que nutre quem nada deseja e não enfrenta,
e não sustentou a febre com que o real me alimenta.
Fui a raiz espessa, o motor desmesurado,
onde havia a mesma queixa do quarto, passo e passado estagnado,
cansei de dar meu sangue ao fantasma da indecisão,
e rachei o silêncio com a sola e com a mão.
Deixei a paralisia no quarto trancado,
para habitar o presente que foi resgatado,
e jamais reclamar do meu passado,
pois estive onde deveria e queria estar,
e nunca fiquei onde não queria ficar.
Sob o mesmo teto a aliança se apronta,
na mesa de estudo onde o esforço dos dois desponta,
dois passos e corpos inteiros que partilham a labuta,
sem a covardia de quem foge da luta.
Amanheço inteira sobre o chão que escolhi,
desmanchei a pedra raza, vazia e oca do homem que um dia achei que conheci, e esqueci.
Tenho a fome da terra, a máquina que avança,
e a matéria do mundo dobrada à minha esperança.