Carlos Lucena

AS FIGURAS QUE TE FAZEM

AS FIGURAS QUE TE FAZEM

Tu levas nas costas todas as metáforas.
Esse grão quase no nada,
com esses buracos no teu corpo,
são fotografias e uma fraqueza na fortaleza revelada.

Levas nas mãos as hipérboles
que se escondem nos paradoxos do que sentes sem sentir,
que é doce
e, sinestesicamente,
tu és como chaga a se abrir
ou rosas que ainda estão para florir.

Na catacrese daquilo que te falta,
ou não existe porque a ti não deram,
ou quem sabe esqueceram de fazer-te,
ou talvez, por gosto, não quiseram.
Assim, não há nem antonomásia ao nome
que, por metonímia, te impuseram.

E, numa símile fortaleza que enfraquece,
se perde na onomatopeia do silêncio.
Personifica a vida
como se humana fosse,
bem-nascida,
tendo em vista a antítese que sempre fosse
e a ironia que tua história estabelece.

Não há eufemismos que possam amenizar teus passos,
mas hipérboles que definitivamente não os são,
porque são apóstrofes
que buscam, de alguma forma, outras figuras
para os teus espaços!